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Mortes por SRAG em 2020 indicam efeitos reais da Covid-19 no Brasil | Detetive TudoCelular

09 de julho de 2020 3

A pandemia do novo coronavírus não tem todo o seu retrato no Brasil devido à falta de uma testagem em massa na população. Isso faz com que muitos casos e mortes fiquem sem o devido registro para a Covid-19.

Mas como identificar essa subnotificação no país? Existe uma forma de ter uma estimativa da quantidade de vítimas da doença a nível nacional: a síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Entenda melhor a seguir:

SRAG na falta de testes

Até que seja diagnosticada a infecção por SARS-CoV-2, os médicos utilizam a SRAG na classificação como causa de mortes e internações entre pessoas com problemas respiratórios, mas ainda não testados. A condição, como é definida pelo próprio Ministério da Saúde, consiste no indivíduo com febre, tosse, dispneia e que foi hospitalizado.

Devido à ausência da execução de um programa de testes em massa na população – e, no caso de muitos estados brasileiros, por falta de estrutura para a realização –, é possível checar que, em estados onde não se tem o diagnóstico exato para o novo coronavírus, o número de internações e óbitos pela síndrome respiratória aguda grave acaba por ser maior.

Falta de testagem em massa gera subnotificação da pandemia no país | Imagem: Reprodução

É o caso do estado de Minas Gerais. Ele iniciou este mês de julho com 436,7 testes por 100 mil habitantes, como informa a base de dados do site Covid19BR. Este é o menor índice de todo o país.

Já nos casos suspeitos, fica em segundo lugar, com 101.572 supostos infectados, atrás apenas de São Paulo, que registra pouco mais de 263 mil pessoas nessa condição. Mas, diferente do território mineiro, os paulistas começaram o mês com mais de 1.300 testes por 100 mil habitantes.

Somente notificados por SRAG em Minas, no final de maio, já eram registrados 8.099 doentes e 1.088 mortes – altas respectivas de 691% e 838% em relação ao ano passado, respectivamente.

Imagem: Reprodução

SRAG vs Covid-19

A ausência de testagens tem mascarado a grave situação da pandemia em todo o território nacional. Dados revelados pela revista Piauí em meados do último mês de junho mostram que a cada 10 mortes confirmadas por Covid-19, há outras oito registradas como SRAG sem causa determinada.

Em outras palavras, isso significa dizer que podemos ter mais 80% das mortes que você conhece até o momento somente de outras vítimas que não puderam ter a sua condição devidamente diagnosticada.

E a situação se difere em todo o país. No Acre, por exemplo, a cada 10 óbitos pelo coronavírus, somente um era de síndrome respiratória indeterminada. Por outro lado, no Mato Grosso do Sul, são 87 sem diagnóstico correto na mesma comparação.

Paraná e Minas Gerais também registram proporções semelhantes, com 51 e 45 falecimentos sem causa para cada 10 confirmados, respectivamente.

Aumento ano a ano

Apesar de não ser uma condição exclusiva de quem tem a Covid-19, a síndrome respiratória aguda grave sofreu uma explosão de casos neste ano de 2020, em comparação aos registros de 2019 e 2018.

Somente em mortes creditadas à SRAG, houve um aumento dos números de 1.904% dentro do período entre 16 de março e 3 de junho dos dois anos. Os dados são do Portal da Transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen).

Em números absolutos, o Brasil saltou de 349 mortes por síndrome respiratória no período do ano passado para 6.994 em 2020.

Essa diferença colossal mostraria o impacto feito pela subnotificação de pessoas contaminadas com o novo coronavírus.

Óbitos por SRAG no Brasil
Ano 2019 2020
Casos 349 6.994

Série temporal

Outro método possível para se analisar os casos de SRAG ativos é ao considerar toda a série temporal durante o ano. Em 2019, segundo dados da Fiocruz, os casos totais notificados não ultrapassaram a barreira dos 2.200 no pico – ocorrido em torno da semana 22 do ano –, que é a considerada como “intensidade muito alta”.

Contudo, ao observar os números deste ano de 2020, o ápice ocorreu em torno da 20ª semana, com mais de 30 mil registros da síndrome naquele momento.

Série temporal de SRAG no Brasil – 2020

Imagem: Reprodução / InfoGripe - Fiocruz

Série temporal de SRAG no Brasil – 2019

Imagem: Reprodução / InfoGripe - Fiocruz

Série temporal de SRAG no Brasil – 2018

Imagem: Reprodução / InfoGripe - Fiocruz
SARS-CoV-2 vs H1N1

É possível ainda comparar o número de casos notificados como SRAG em 2020 com os anos em que houve a pandemia do vírus H1N1. A principal época foi em 2009, quando o derivado do Influenza A atingiu o Brasil, já na época de inverno.

Os gráficos da época indicam que o H1N1 não chegou a atingir os números de pico deste ano com o SARS-CoV-2, ao ficar na faixa de 24 mil casos ativos. Mas se comportou de uma maneira muito mais rápida e não permaneceu no ápice por muito tempo.

Além disso, a epidemia aconteceu em época de inverno no país, em torno da 32ª semana do ano. Ainda não sabemos o que será do coronavírus até o fim desta estação no Brasil.

Série temporal de SRAG no Brasil – 2009

Imagem: Reprodução / InfoGripe - Fiocruz

Em 2016, houve um novo surto de casos de H1N1 no território brasileiro, o que levou a uma nova alta de casos totais de síndrome respiratória aguda grave – desta vez, na primeira metade do ano.

Na ocasião, foram mais de 4.500 casos notificados ainda no primeiro semestre, mas bem abaixo da primeira onda e com uma diferença muito maior quando comparado ao novo coronavírus.

Série temporal de SRAG no Brasil – 2016

Imagem: Reprodução / InfoGripe - Fiocruz

Exames laboratoriais

Nos casos de SRAG detectada em que são feitos exames laboratoriais para se descobrir a causa da doença, os gráficos da Fiocruz mostram uma grande parte dos resultados positivos para o SARS-CoV-2.

As informações relativas aos testes em laboratórios – quando feitos – com resultados positivos em 2020 indicam para a esmagadora incidência do coronavírus. Na comparação com o Influenza A – família do H1N1 –, a diferença é de mais de 15 mil em seus respectivos picos.

Isso significa que a justificativa de que há incidência de outros vírus da gripe para o crescimento de casos não se confirma nos resultados de testes – repito, quando eles são realizados.

Imagem: Reprodução / InfoGripe - Fiocruz
Impactos maiores da pandemia

A subnotificação do novo coronavírus já resulta em sérios impactos no país como um todo. Primeiro, porque o entendimento sobre a pandemia no Brasil pode ficar distorcido e muitas vezes mostrar um cenário que parece de uma estabilidade da doença.

Em um segundo momento, a visão minimizada da doença também força a reabertura precoce de comércio e serviços. Na prática, resulta em mais gente circulando nas ruas e nos meios de transporte, o que gera também a contaminação de mais pessoas, mesmo com os cuidados necessários para sair – como usar máscaras e passar álcool em gel nas mãos.

Brasil vs EUA e Itália

Outro ponto a ser observado é a comparação com os outros países. O Brasil ocupa há mais de um mês o topo do ranking de acréscimos diários de casos confirmados e mortes pela Covid-19, sem contar com os suspeitos – que não são poucos, como já exemplificado nesta coluna.

Com índices muitas vezes maiores do que os Estados Unidos e uma população total praticamente um terço menor, a tendência é que a nação brasileira tenha um cenário pior que os norte-americanos.

Os dois países iniciaram este mês de julho com uma diferença de cerca de 1.500 casos por milhão de habitantes e pouco mais de 100 mortes também por milhão a mais para os Estados Unidos. Caso o Brasil siga no ritmo atual e se levar em consideração a subnotificação existente, não demorará para que tenha um ambiente mais sério que o atual líder de infectados e óbitos totais pela doença.

Um dos primeiros países mais afetados nesta pandemia foi a Itália. Mesmo assim, a nação europeia tem algo em torno de 4 mil casos por milhão de habitantes. O Brasil gira em torno de 7 mil por milhão – ou seja, já se encontra em um cenário de disseminação pior.

Em mortes, os italianos ficaram com pouco menos de 600 vítimas por milhão. Caso a proporção de mortes por SRAG indeterminada esteja correta em todo o país, de 80% de subnotificação, o nosso país já pode flertar com números semelhantes aos da Itália, já que apresenta algo próximo a 300 mortes por milhão oficialmente.

Como acompanhar casos de SRAG?

Algumas bases de dados públicas permitem acompanhar os casos de síndrome respiratória aguda grave por semana e outros dados relativos a exames e mortes. Uma delas é o InfoGripe, criado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Nele, é possível acompanhar todo o histórico da condição e como ela se reflete a cada ano por casos e confirmações para doenças.

Outra fonte já citada aqui é o Portal da Transparência da Arpen, onde você pode acompanhar diariamente os óbitos com suspeita ou confirmação de Covid-19. Para completar, o próprio portal antigo do Ministério da Saúde entrega uma seção com alguns dados dedicados à SRAG, como quantidade de hospitalizações.

Para você, qual é o impacto da subnotificação para Covid-19 indicada pelos casos de SRAG nas medidas de combate à pandemia no país? Comente conosco!


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Comentários

Mortes por SRAG em 2020 indicam efeitos reais da Covid-19 no Brasil | Detetive TudoCelular
  • Essa história já vem desde abril lá no Amazonas, mas o povo não entende ou finge não entender esse tipo de dado. No fim das contas, aquele estudo internacional que estipulou a priori 1 milhão de mortos se nada fosse feito, começa a fazer um pouco de sentindo quando a gente para pra ver esse tipo de subnotificação e imaginar que os números de mortos já pode ter passado de 100 mil.

      • Ajuda os cara detetive

          • Certa vertente política é extremamente desonesta e cruel, milhares de pessoas morrendo, uma puta subnotificação de casos e esse povo espalhando notícias falsa contra os profissionais da saúde

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