
08 Dezembro 2015
Lá em fevereiro, a Sony apresentou ao mundo uma série de novos smartphones durante a Mobile World Congress, que aconteceu em Barcelona. Um deles era o Xperia ZL, que por aqui chegou com o nome de ZQ (dizem as más línguas, que o motivo seria o ZL de "Zona Leste" de São Paulo). Esta variante do ZL traz um processador Snapdragon S4 Pro quad-core de 1.5 GHz, 2 GB de memória RAM e tela de cinco polegadas com resolução Full HD - e aí está o seu calcanhar de Aquiles, já que a tela tem um péssimo ângulo de visão.
A caixa é semelhante ao que a Sony traz em outros modelos top de linha. Ela não segue o padrão da indústria, ao criar uma caixa apenas com as medias do celular - sendo pouca coisa mais alta. Ela tem duas vezes a largura do smartphone, entregando a fotografia do aparelho na frente, com algumas informações na parte traseira.
Dentro da embalagem, há uma área em que estão separados o carregador de tomada com entrada USB, cabo microUSB e um belíssimo fone de ouvido intra auricular na cor preta.
Para esconder o display atrás do vidro, a Sony inseriu filtros polarizados logo abaixo do sensor de toque. É algo semelhante ao que a Nokia faz em alguns modelos da linha Lumia. Deixa o aparelho bonito e - bastante - elegante. A parte da frente traz a tela de cinco polegadas com resolução Full HD (1920 x 1080 pixels, com espaço reservado para os botões virtuais do Android), alto-falante, sensores de proximidade e também a câmera frontal de 2 megapixels.
A tela conta com um pequeno ângulo de visão confortável. É só virar o aparelho um pouco, e as cores e brilho alteram, borrando a imagem exibida na tela. Fica complicado mostrar a foto para vários amigos ao mesmo tempo, os da borda verão menos do que os da frente.
A posição desta câmera é estranha e pode atrapalhar o usuário. Ela fica logo abaixo do aparelho, ao invés de ficar no topo do dispositivo, logo acima da tela. Se você segura o celular de pé, pode ser que a mão fique na direção da lente. Mas, de qualquer forma, a câmera frontal é pouco utilizada. É um ponto negativo que pode passar desapercebido por quem não utiliza o recurso.
Finalizando a parte frontal, encontramos um LED de notificações que começa no meio da parte mais inferior, espalhando sua luz para as laterais. O efeito final é belo e bastante criativo.
Na lateral esquerda, encontramos um local para a conexão microUSB.
Do outro lado, a Sony trouxe um botão dedicado para a câmera (que funciona com a função de foco e depois de disparar o obturador), botões para o volume e um botão, bem grande e visível, para ligar e desligar o dispositivo. A posição do botão também mudou, em comparação ao mercado de smartphones. A posição nova é confortável para quem utiliza o smartphone na orientação de retrato (de pé), mas não tão útil quando ele está deitado (orientação paisagem).
Na parte inferior não há nada, enquanto em cima do gadget podemos encontrar a conexão para fones de ouvido no padrão 3,5 milímetros.
Já atrás do dispositivo, há uma tampa que não é acessível (para a remoção da bateria). A câmera traseira é de 13 megapixels e filma em Full HD (1920 x 1080 pixels em 30 quadros por segundo).
Ainda neste local, há uma porta que dá acesso aos slots para cartão microSD e micro SIM. A trava parece ligeiramente frágil, mas este não é um compartimento que será aberto constantemente. Normalmente só será aberto quando for trocar o cartão de memória ou a linha telefônica, algo não muito comum.
A bateria, que não é removível, é de 2.370mAh e garante 40 horas de reprodução de música.
Mesmo com uma tela de cinco polegadas, o aparelho parece menor do que concorrentes. Isso ocorre devido ao aproveitamento da frente do aparelho. A Sony usa mais espaço para a tela, do que outras fabricantes, o que permite aumentar a tela sem aumentar tanto o tamanho físico do smartphone. A traseira conta com uma textura bacana de segurar e é emborrachada, que garante que o aparelho não vai escorregar tão facilmente da mão.
Suas dimensões são: 131,6 milímetros de altura, por 69,3 de largura e 9,8 milímetros de espessura. Ele não é o mais fino do mercado, mas é fino o suficiente para não fazer volume no bolso. Somando tudo isso, ele pesa 151 gramas - peso extra que dá uma sensação de maior firmeza na mão.
Para compensar as vezes que o smartphone poderá ser ligado acidentalmente, pela localização do botão de ligar e desligar o gagdet, a Sony faz com que o Xperia XQ desligue automaticamente após 15 minutos. Para impedir que ele volte a ficar desligado, é só tocar no "Cancelar" que aparece na tela inicial.
Já ao abrir a caixa do smartphone, você contrará uma das versões mais recentes do Android (para o momento deste review, começo de junho de 2013), o Jelly Bean 4.1.2. Porém, pro cima do Android a Sony deixou sua interface modificada e que recebe o nome de TimeScape UI. Ela traz uma forma diferente de destravar a tela, que lembra algo como uma cortina veneziana.
De cara, encontramos cinco telas iniciais, sem a opção de adicionar ou remover alguma delas. Neste olhar, já notamos uma das modificações do Android que a Sony fez: o desenho e nome de alguns programas, todos redondos e com uma cara que lembra algo próximo ao PS Vita.
Ainda na tela inicial, é possível trocar o tema do aparelho. Esta opção troca o papel de parede, a imagem de tela bloqueada e também a cor que alguns textos serão exibidos. É mais ou menos a personalização que aparelhos Symbian - a Sony era uma das fabricantes que trazia estes gadgets - permitiam.
No menu de apps há outra modificação. Ele recebeu um layout totalmente diferente do que o Google criou em aparelhos Nexus - Android puro. Ele exibe o papel de parede mesmo dentro deste menu, permite que os apps possam ser organizados por ordem alfabética, os mais utilizados primeiro, os instalados recentemente ou até uma seleção manual. Enta modificação de layout deixa o aparelho com mais cores e menor contraste com o fundo.
Também é possível criar pastas para alguns apps, diretamente na tela de aplicativos.
De fábrica a Sony traz apps como o Walkman (que substitui o player de música do Android), Álbum (que é a Galeria de Fotos), Filmes (que serve para exatamente isso que você pensou), um programa de notas rápidas, rádio FM, antivírus McAfee, leitor de códigos QR, TrackID (para reconhecer uma música que está tocando, tipo SoundHound), Wisepilot for XPERIA (uma espécie de GPS da Sony, que usa base de dados da NAVTEQ), Controle Remoto (Sim, ele funciona como um controle remoto para TV, aparelho de som e outros), Update Center (para atualizar o Android e alguns apps), Office Suite (para criar e editar documentos do Office), Socialife (uma timeline com suas redes sociais) e os Xperia Link (que permite controlar um dispositivo pela internet) e o Smart Connect (Concorrente do SmartActions, da Motorola).
De todos estes, damos destaque para o Smart Connect. Ele permite que você realize uma função de acordo com uma situação. É algo como, ao plugar o fone de ouvido o aparelho reproduz certa música. Ou, ao plugar na tomada, ele apenas vibrará e não tocará nada. Diferente do SmartActions, o Smart Connect não utiliza sua localização para alguma função.
O Controle Remoto transforma o dispositivo em um controle remoto universal. São várias fabricantes e tipos de aparelhos que o smartphone poderá conversar. Se seu aparelho não estiver listado, é possível utilizar o controle remoto para ensinar o comando ao aplicativo, ao tocar certa tecla.
Da tela de multitask, é possível abrir alguns apps que ficam acima de todos. A janela do app fica suspensa, sendo possível mover sua localização - mas não dá para alterar o tamanho dela, apenas trocar o lugar e fechar tudo. Este recurso faz mais sentido em telas maiores - tablets - e não em smartphones.
O navegador padrão por aqui é o Chrome. Ele funciona da mesma forma como em outros dispositivos. Com ele você pode sincronizar abas e outros recursos de outros aparelhos. Dá para navegar por abas e a experiência de uso é bastante fluida.
O aparelho conta com um hardware de respeito, para junho de 2013. Ele traz um processador Snapdragon S4 Pro com quatro núcleos rodando a 1.5 GHz e 2 GB de memória RAM - vai por mim, ele é bom. O jogo Real Racing 3 rodou sem qualquer engasgo, mesmo com vários aplicativos abertos no fundo. Games mais simples, como Angry Birds e Jetpack Joyride passam fácil pelo gadget.
Há dois players de música, o nativo do Android e o Walkman, da Sony. O Walkman traz uma interface que lembra muito o player nativo de música do Windows Phone. Isso não é ponto negativo, muito pelo contrário, ele é bonito. Além de um visual mais clean, o player exibe uma lista com as canções e a arte do álbum de cada uma.
Também é possível alterar configurações de um equalizador virtual, e inserir algumas melhorias já programadas pela fabricante nipônica.
O tocador de vídeo também aparece em dupla, a nativa do Android e o Filmes, da Sony. O da Sony traz informações sobre o vídeo - se for um filme, traz a sinopse, por exemplo. O aparelho reproduziu vídeos em 1080p sem problemas.
O sensor de imagens Exmor RS traz 13 megapixels de resolução e promete entregar imagens belíssimas, mas a realidade é um pouco diferente. Ela não é ruim, mas não é a maravilha prometida pela Sony. As fotos não são tão nítidas e se encaixam perfeitamente num patamar mediano de qualidade de fotos. Está acima da média, mas não tão distante do segundo colocado.
As fotos com HDR ficam bastante iluminadas e as imagens noturnas, com o HDR, melhoram bastante de qualidade. Mas, ainda assim, estamos com um smartphone que traz uma câmera boa o suficiente para um Instagram, nada além disso. Um recurso bastante bacana é o disparador contínuo de dez fotos por segundo. Você pode lotar a memória interna de fotos.
Para evitar a bagunça de tantas fotos iguais, o álbum separa as imagens tiradas desta forma em um lugar só, onde o usuário poderá escolher a melhor, ou ficar com todas.
A filmadora pode gravar vídeos de até 1080p em 30 quadros por segundo. A qualidade é boa tanto no vídeo, quanto na captação de áudio pelo microfone. A voz fica nítida, mas nada assustadoramente perfeito. O HDR também está no vídeo, mas a diferença entre ele e sem ele fica mais evidente em fotos.
Pontos fortes
Pontos fracos
Pelo que custa, entrega um desempenho de alta qualidade
Embagalagem bem construída e bem organizada
Pegada confortável e a traseira emborrachada impede escorregões
Timescape UI dá dicas de uso, mas nem tanto quanto o Android puro
Rodou tudo que testamos, mas o ângulo de visão é pequeno
Ter uma tela Full HD é bacana, mas o ângulo de visão é pequeno. A câmera promete mais do que cumpre, mas o hardware é de respeito.
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As melhoras ofertas para o Sony Xperia ZQ